Compromisso. Com que? Com tudo!

Chego ao Brasil, e no avião, o controle sobre a gripe H1N1 é como você vê, sério. Dos vários países onde passei, vi na China um controle preciso, e aqui. Lá, além do documento, que temos que preencher no avião, e entregar na primeira fila, antes mesmo de passar a imigração, há um portal metálico, que ao invés de detectar armas, detecta temperatura do corpo! Isso mesmo, a máquina identifica pessoas com eventual febre, e as tira do grupo, para averiguação e quarentena. Em Beijing, o medo da gripe soa atemporal, e ninguém sabe me informar bem se procede ou não, apenas que as pessoas estão ressabiadas, algo que sinto, passamos mais intensamente aqui em Junho, Julho e Agosto. Se aproxima o inverno lá, e talvez por isso, com os números, você veja pessoas com máscaras na rua, no metrô, no aeroporto. Curioso, é que uns se riem dessa prática. E outros, especialmente as moças jovens, usam máscaras “fashion”, tem ilustradas, cor de rosa, coloridas, estampadas. Olha o formulário aí:

China Oct2009 004 - China Oct2009 004

China a Jobourg 621 - China a Jobourg 621

Indonésia, Dubai ( Emirados Árabes) e Africa do Sul, não pedem nada de nada sobre saúde. As fronteiras dos países variam tanto quanto as fronteiras das pessoas…

A cooperação Brasil China forma um bloco de dois países que trabalha em prol do apoio mútuo, mais intensamente do que pressupomos. As autoridades estabeleceram comissões e subcomissões em 9 áreas, e a proximidade é grande. Para os jogos no Rio de Janeiro, já há uma comissão que de lá, vai transmitir informações e conhecimentos sobre a experiência deles sediando os jogos em 2008.

China a Jobourg 006 - China a Jobourg 006

Em Bali, fiquei numa pousada que eles chamam de Villas. Muito linda, e com tudo de especial e mágico daquele lugar, só podia mesmo estar feliz e gostar. Mas os recordes de satisfação de hóspedes da pousada, num site que avalia isso pela Internet, eram ruins. 50% dos hóspedes reclamam. Descubro que em especial os australianos, que me diz uma funcionária, “reclamam mesmo de tudo”, tipo, que está muito calor, depois que está frio demais, respondem pelas críticas. Mas mesmo eu, espiritualizada, encontrada em mim mesma, feliz e produtiva, cheguei ao ponto de me incomodar com o serviço, ou a falta dele. Vinham as moças da limpeza, e limpam aqui, mas esquecem ali. Daí não comparecem um dia. No dia seguinte, batem na porta em hora imprópria e incomodam. Curioso, procuro minha conexão do hotel, e converso com ela, expondo o que creio, eles devam fazer. Sugiro uma rotina de trabalho, e ela compreende. Para minha surpresa, ela muito querida e próxima (tinha feito seu Quantum e estávamos realmente amigas), me sugere um outro Villas que ela conhecia.

Contei a ela uma história, que quero dividir com vocês. Certa vez fui ao Chile, para um congresso e uma reunião numa universidade. Meu noivo, à época, chegaria no dia seguinte. Eu estava hospedada no Sheraton de Santiago. Ao sair cedo, antes dele chegar, deixei café feito naquela cafeteira no quarto, e um bilhete na cama, dando conta de que sairia para reunião na Universidade e logo voltaria para encontrá-lo, certamente, já instalado. Na saída, tomei o cuidado de REGISTRAR seu nome no meu apartamento, e não obstante, deixei um envelope em seu nome, na recepção, com o número do quarto e uma chave eletrônica da porta, junto com um bilhete.

Bem, quando chego de volta da reunião, passei voando pelo grande hall do Sheraton e fui direto para o quarto. Ao abrir a porta, já senti o aroma do café, meio queimado pelo tempo ali, no aquecedor eletrônico, e na cama, intacto, o bilhete. Digo, ué, acho que ele não veio… Desci para tomar um café e talvez um recado…? E logo o encontrei num sofá da recepção, lendo. Hey!!! Seja bem vindo…! Por que você não subiu? Descubro, perplexa, encurtando a palhaçada (corrigida depois de forma surpreendente):

1. Não o deixaram subir, sem minha presença
2. Não repararam, nem entregaram o envelope em seu nome, com a chave
3. Para piorar e me chocar, chegaram a oferecer um apartamento promocional por duas horas, a US40 dólares, caso ele optasse por descansar instalado até eu chegar.

Eu não podia acreditar na coisa toda. Era muita “patacoada” para uma só pessoa.

Subimos, ele se instalou e foi tomar um banho. E eu desci, e fui à recepção. Quero falar com gerente geral. Vem uma moça, muito sorridente, um tipo alto C baixo A, disposta e carinhosa, me pedindo que lhe explicasse o que queria. Disse-lhe: querida, vocês têm um problema GERAL. Então, com todo respeito a você e seu trabalho, eu só quero falar com O GERENTE GERAL. Ela insistiu, eu expliquei sem muita paciência o que aconteceu, e disse que se ela não chamasse o gerente geral para me atender, nós iríamos embora mesmo assim, porque eu estava de saída daquela espelunca, constrangida e aborrecida, e que eu não falaria para eles porque, mas como escritora eu falaria o resto da vida pro mundo todo. Ela me acatou.

Cerca de uma hora mais tarde, toca o telefone do nosso apartamento, um de classe econômica, mas muito bonzinho, porque Sheraton é Sheraton, e me avisa que o Sr Brown, gerente geral, me aguarda no bar do mezanino. Desci. Me surpreendo com o jovem senhor, de seus 42 anos, lindo, bronzeado, e sentado em sua cadeira de rodas eletrônica, moderna. Descubro que ele, argentino radicado no Chile, anos antes fora ao Brasil, de férias, e acidentara-se numa piscina em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. O acidente o tronou tetraplégico… Pai de 3 filhos e casado recebeu o convite do Sheraton para voltar ao trabalho no Chile, na área comercial, o que ele fez desde que concordassem em “ainda não remunerá-lo” naquele início. Queria provar a si mesmo, saber se era capaz. Expus o caso para ele e disse que por isso iríamos embora. Ele foi muito firme, e delicado, mas não servil, e me fitando disse: “Não tenho como se quer comentar o episódio. São tantas asneiras, e tão fora de tudo o que acreditamos e praticamos, a chave, o sistema com o nome do hóspede, e por fim um apartamento por duas horas oferecido, que só posso me sentir constrangido. Não tem desculpas. Mas peço uma segunda chance a vocês. Me permita mudá-los de apartamento, e tentar compensar esse desconforto inicial.

Bem, Brown entrou para o meu livro, com sua história de sobrevivente. Ele conseguiu atuar na área de vendas, e foi promovido consistentemente de ano em ano, até chegar a ser gerente geral.

Fomos para o aparamento presidencial, onde ficam o Lula e a Dona Marisa, as comitivas da França, ou sei lá eu de onde mais. Um apartamento enorrrrrrrme. Recebemos champagne, flores, frutas, 3 convites para jantar em restaurantes do hotel e da cidade, e um Bell boy dedicado, que achamos, ficava atrás da porta do quarto, quando ligávamos pedindo algo, em 30 segundos tocada a campainha.

Voltei-me para minha amiga de Bali, do Hotel Villas. Querida, quem paga seu salário? Onde está a sua energia hoje? Você acha que vale a pena, ganhar uma pequena comissão para mandar um hóspede embora, para outro Villas e corromper sua atitude profissional? Eu acredito que você deveria me pedir uma segunda chance. E não precisa me dar nada não, só o seu compromisso e sua verdadeira intenção e HONRAR SEU PAPEL aqui são necessários, se você quiser ser alguém na vida… Vá ao seu gerente, e liste as mudanças que você acredita, se dispõe a ajudar a fazer. E diga-lhe que você me pediu uma segunda chance, e que por isso, eu ficarei.

Claro que a experiência no Chile acabou sendo divertida, e o custo alto para o hotel. Mas veja. A atitude e a integridade do profissional ali. Integridade é o self que não se divide sob pressão. É preciso de pessoas íntegras, e comunicação a partir disto. Eu discordo que o problema de comunicação seja o maior das empresas. Eu acredito que a falta de integridade seja perniciosa, e deve ser combatida, com o desenvolvimento do autoconhecimento. Você precisa conhecer-se, assumir-se, aceitar-se para falar a verdade e poder ser edificador.

Empresas com uma cultura organizacional profissionalizada têm o gostoso aroma do compromisso e do amor. Quando palestrei em South Africa, a figura do grande líder, Mandela, foi ponto de honra em minha palestra liderança Azul, por razões várias, sobre as quais blogarei estes dias, mas em especial, a propósito deste tema de compromisso, um fato: preso, Mandela teve a proposta de que fosse solto, desde que desistisse de lutar contra o Apartheid. E ele disse não. Permaneceu 27 anos na prisão. Profissionalismo é compromisso e honradez de propósitos.

Até o crime, profissionalizado, é melhor. Em Jobourg, na África do Sul, tive uma visão clara da loucura do crime descontrolado, em “Hubro”, bairro tomado pelos nigerianos e pelas drogas. A falta de limites ecoa a falta de liderança, austeridade, e caráter. E em Soweto, fui à casa de Mandela, um dos homens de maior caráter e liderança pelo amor que já tive notícia. German, meu amigo africano, me diz: Depois do Apartheid, quando soltaram Mandela, preso por 27 anos pensamos: “agora poderemos pegar as armas e lutar.” Para nossa surpresa, ele saiu e disse: forgive and forget. Black is beautiful, sejam vocês mesmos, vamos viver. E então se tornou o 1º presidente negro e da democracia.

Vale ressaltar, que o profissionalismo e o “bom caratismo” de pessoas, advém de sua auto-estima, de seu merecimento interior. Há pessoas que sentem vergonha, se sabem desprezíveis, não evoluíram ou superaram suas mazelas e sentimentos de inferioridade secretos, ou os expressam sendo perfeccionistas, disfarçando um senso interior pobre, falho, desesperado. (Como se algo gritasse dentro delas “Falhar é catastrófico! Seja perfeito!”) E não podem ser edificadoras, construtivas, transparentes, éticas em fim. É preciso considerar-se bonito para sentir-se bonito. Uma imagem externa não sustenta isso, e leva as pessoas ao desespero psíquico, e à CORRUPÇÕES. Isso desonra seu trabalho, e sua pessoa e os seus clientes.

Minha amiga balinesa está fazendo uma revolução no seu Villas. Me agradece todos os dias pela história, e com seus 27 anos de idade, edificou algo em seu caráter (traço, característica, forma de ser), que mudou o destino de sua vida.

Compromisso com uma missão, não pode ser corrompido e abandonado. Eu exalto os profissionais que mantém sua integridade, e trazem propostas abertas e claras para mudanças, quando as consideram necessárias. Não tem sentido falar mal da sua empresa, destilar veneno com críticas sobre o que ou quem quer que seja, anunciando o dilúvio, pelos “erros dos outros”. Quem age assim, confirma o dilúvio, porque o constrói passo a passo. Mas nem sempre falar abertamente trás os resultados, porque as pessoas estão em níveis diferentes de evolução. Então, precisaremos de paciência, persistência, criatividade, e paz interior. Não se estresse. Sorria. Pense outra alternativa. E até brigue diretamente com a pessoa envolvida. Mas seja íntegro.

Honro meu cliente, meu espaço, minha empresa, minha casa. Falo Eu: sou a energia que traz o resultado. Fala Tú: que energia é você?

Love is my religion. Liderança é coisa séria.

Beijo e Poe no teu feeds este Blog- continuo postando os vídeos de Bali, China e África, das últimas passagens.

 

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